
O que e um kendama: anatomia, historia real e truques
O que e um kendama: definicao clara, anatomia (ken, tama, sarado), origem documentada (bilboquet, patente 1918), graus JKA, acabamentos e rota de truques.
O que e de verdade um kendama: anatomia peca a peca, historia documentada face a lenda, graus JKA cronometrados, acabamentos do tama e uma rota de truques que funciona.
Muita gente acha que o kendama e "um brinquedo japones tradicional". E uma verdade a meias que convem desmontar desde a primeira linha, porque entende-la muda como o olha e como aprende. O objeto que tem na mao —madeira de faia, tres copos, uma ponta afiada, uma bola pendurada num fio— e japones na sua forma atual, sim, mas o seu ADN vem de um jogo europeu de bola e copa, e a sua explosao como disciplina com campeonatos, federacoes e videos de milhoes de visualizacoes tem apenas quinze anos. Aqui nao lhe vou vender misticismo zen de panfleto. Vou contar-lhe o que e exatamente isto, de onde sai de verdade (separando o documentado da lenda), como esta construido e porque, uma vez que apanha o jeito dos joelhos, nao o larga.
O que e um kendama, sem rodeios
O kendama (けん玉) e um jogo de habilidade formado por duas pecas de madeira unidas por um cordao: o ken —um cabo com uma cruzeta de copos e uma ponta— e o tama, uma bola perfurada por um buraco. Na sua versao mais simples lanca a bola e recebe-a num copo; no seu gesto insignia, enfia-a pelo buraco cravando-a na ponta. Esse "clique" surdo da madeira contra a madeira quando a bola entra limpa na ponta e, literalmente, o que vicia meio mundo.
Pertence a familia universal dos jogos de bola e copa —o bilboquet frances, o balero hispano-americano, o ring and pin de varias culturas sao parentes—, mas com uma diferenca decisiva: alguem lhe acrescentou uma cruzeta com tres copos de tamanho distinto. Essa cruzeta multiplicou por cem as possibilidades e converteu um passatempo de taberna numa disciplina com milhares de truques catalogados, sistema de graus estilo artes marciais e um campeonato mundial anual.
Convem dize-lo claro: nao e um brinquedo e um desporto como coisas exclusivas. E as duas ao mesmo tempo, conforme como o pega. Pode te-lo numa gaveta e tira-lo num final de almoco, ou treina-lo vinte minutos diarios e apresentar-se a exames de grau. A peca e a mesma. O que muda e o seu nivel de obsessao. Se quer ver modelos para comecar ou para competir, tem-nos na nossa seccao de kendamas.
Anatomia: porque cada peca tem o seu nome japones (e porque deveria aprende-lo)
Nao e esnobismo. Quando ve tutoriais, procura sobressalentes ou le uma lista de truques de competicao, tudo esta em nomenclatura japonesa. Aprende-la agora poupa-lhe confusao depois.
- Ken (剣): o cabo completo. Empunhadura, cruzeta de copos e ponta formam uma so peca.
- Tama (玉): a bola, com um unico buraco —o ana (穴)— por onde se enfia na ponta.
- Kensaki (剣先): a ponta ou espicho. Onde se crava a bola no spike.
- Sarado (皿胎): a cruzeta transversal que sustenta os copos, atravessada pelo cabo. Esta e a peca que diferencia o kendama de um bilboquet qualquer.
- Ozara (大皿): copo grande, numa extremidade do sarado.
- Kozara (小皿): copo pequeno, na extremidade oposta.
- Chuzara (中皿): copo "base" ou medio, na parte inferior, frente a ponta.
- Ito (糸): o cordao. No kendama oficial mede da ordem de 38-40 cm; e a peca que mais se parte.
- Suberidome (すべり止め): a zona antiderrapante da empunhadura.
E agora o que de verdade importa, o que nao vem na caixa: dois conceitos fisicos mandam acima de tudo o resto. O primeiro e o balanco —como se reparte o peso entre tama e ken—. Num kendama oficial homologado o conjunto pesa cerca de 140 g, com o tama a rondar os 70 g e cerca de 60 mm de diametro; esse reparto nao e decorativo, esta calculado para que a bola "suba direita" e se deixe cravar. O segundo e o tracking: o esquema de pintura do tama (meio/meio, 70/30) faz com que a bola gire de forma legivel, e voce aprende a "ler" esse giro para alinhar o buraco com a ponta mesmo antes do impacto. Um kendama bem equilibrado perdoa erros. Um descompensado castiga cada lancamento e fa-lo crer que o mau e voce.
Historia e origem: o documentado, o provavel e a lenda
Aqui toca ser honesto, porque a internet esta cheia de afirmacoes taxativas sobre a origem do kendama que as fontes serias —a comecar pela propria Japan Kendama Association— nao sustentam. Vou separar tres camadas: o que esta documentado, o que e razoavelmente provavel e o que e relato bonito sem provas.
Raiz europeia: provavel, nao folclorica
O consenso entre fontes reputadas e que o kendama descende dos jogos de bola e copa, em particular do bilboquet frances, popularizado na Europa no seculo XVI. Existe tambem a teoria romantica de uma chegada pela Rota da Seda desde a China; esta muito menos apoiada e convem trata-la como hipotese, nao como facto. Se alguem lho conta como certeza, desconfie.
Chegada ao Japao: 1777-1778, e nao era para criancas
A primeira mencao japonesa documentada aparece por volta de 1777-1778 na enciclopedia Kiyusyoran. Provavelmente entrou por Nagasaki, unico porto comercial aberto entao. E aqui vai o dado que quase ninguem conta: nao era um brinquedo infantil. Era um jogo de beber para adultos em tabernas —falhava o truque, bebia—. A transformacao em passatempo infantil chega mais tarde: em 1876 aparece no guia educativo Dojo-sen como "cup and ball", sinal de que nesse seculo passou do balcao do bar para o patio da escola.
O kendama moderno: Hiroshima, 1918-1919
O salto decisivo —acrescentar o sarado com os seus tres copos— ocorre em Hiroshima com a "bola do Sol e da Lua" (Nichigetsu Ball): a bola redonda como o sol, os copos como uma lua crescente. O pedido de patente apresenta-se em 1918 e regista-se como modelo de utilidade em 1919; o desenho atribui-se a Hamaji Egusa (as fontes tambem o transliteram como Hamagatsu Ekusa), natural da zona de Kure, Hiroshima. Esse sarado e a inovacao que abriu "um mundo de truques novos", nas palavras da propria JKA. Mais adiante chegaram os modelos de competicao estandardizados que fixaram medidas e pesos.
O boom ocidental: 2006 em diante
O kendama nunca desapareceu do Japao, mas a sua explosao global e recente. Em 2006 nasce a Kendama USA, primeira empresa estadunidense do setor. A difusao por video —street kendama, combos, slacks, camara lenta— dispara uma comunidade internacional, e o fenomeno culmina com a Kendama World Cup, realizada em Hatsukaichi (Hiroshima) desde 2014. Quinze anos. Isso e o "moderno" do kendama moderno: menos que a carreira de muitos profissionais que hoje o jogam.
Federacoes e sistema de graus: o kendama como disciplina regulada
A Japan Kendama Association (JKA) e a instituicao de referencia e estrutura o jogo como uma arte marcial. Ha graus kyu (descendentes: do 10.º kyu ao 1.º, iniciacao) e graus dan (ascendentes, avancados). Os kyu tiram-se com relativa facilidade, muitas vezes em crianca; o 1.º dan e a fronteira real: certifica que domina os fundamentos de verdade.
Cada nivel examina-se com truques concretos. O bloco kyu gira em torno de um repertorio fixo —big cup, small cup, middle cup, candle (rosoku), spike (tomeken), airplane (hikoki), swing in (furiken), around Japan, around the world, lighthouse (todai)— mais o moshikame, esse vaivem ritmico entre copo grande e copo base. E o moshikame nao e livre: a JKA cronometra-o a 135 batidas por minuto. Para o 1.º kyu ha que encadear pelo menos 50 repeticoes sem falha a esse ritmo; no exame de junshodan (a antesala do dan), 100 repeticoes, uma so oportunidade. Nao e "dar ao copo": e metronomo.
Os exames exigem um kendama oficial JKA com selo certificado (nintei) ou recomendado (suisho). Por sua parte, a GLOKEN (Global Kendamas Network), tambem com base no Japao, organiza a Kendama World Cup e faz de ponte entre a cena japonesa tradicional e a ocidental "street". O seu lema, literalmente, e construir relacoes entre jogadores e popularizar o kendama pelo mundo. As duas vias convivem sem guerra: uma regulada e com graus, outra criativa e de estilo livre.
Materiais e pintura: porque dois kendamas identicos se sentem distintos
O corpo costuma ser de madeira de faia (beech): dura, consistente, previsivel ao cravar e —sejamos sinceros— barata, o que a torna ideal para se iniciar. Ha modelos premium em freixo e outras especies que trazem nuances de tato, som e peso, mas como principiante nao se obceque: uma boa faia cobre de sobra anos de jogo.
O que de verdade muda as sensacoes nao e a madeira, e o acabamento do tama. Importa tanto que lhe dedico tabela propria:
| Acabamento | Tato | Aderencia | Para que brilha |
|---|---|---|---|
| Tacky / sticky | Comeca semibrilhante, "parte" para pegajoso com o uso | Maxima | Truques de balanco: lighthouse, lunar. Permite corrigir. |
| Silk / rubber | Mate, sedoso, surpreendentemente aderente | Medio-alta | Ponto doce para progredir sem se mal-habituar. |
| Gloss | Brilhante, liso, rapido | Baixa | Spikes e jogo classico de precisao. Hoje e raro de fabrica. |
| Cushion clear | Quase emborrachado, mate | Muito alta | "Bloquear" balancos; joga como um dama ja rodado. |
| Natural (natty) | Madeira nua | Baixa | Sensacao classica, puristas, jogo tradicional. |
Dado de contexto que nao lhe contam: o gloss foi o standard durante anos, ate que por volta do fim de 2011 entraram as pinturas com mais aderencia na comunidade e o deslocaram. Hoje quase ninguem fabrica gloss de serie. Que um acabamento seja "mais dificil" nao o torna melhor nem pior; torna-o adequado para uma etapa concreta. Isso e preferencia e momento, nao qualidade.
Como se danificam os acabamentos (e o que os recupera)
Nenhum acabamento e eterno e convem sabe-lo antes de se obcecar a escolher um. O tacky suja-se com suor e po —perde mordente— ou, ao contrario, "parte" demasiado e torna-se melaco pegajoso que trava o deslizamento de que tambem precisa. O gloss risca-se com cada spike falhado contra uma superficie dura. O natty mancha-se e a madeira absorve a gordura dos dedos. A boa noticia e que quase tudo se recupera: uma pitada de talco acalma um tacky passado de voltas, uma lixagem microscopica devolve uniformidade, e o servico de cushion clear que varias marcas oferecem revive um tama favorito que dava por morto. Moral: nao escolha o acabamento "definitivo" como se fosse um casamento; e mais bem um consumivel reacondicionavel.
O kendama face aos seus primos: porque a cruzeta mudou tudo
Para entender de verdade o que e um kendama ajuda compara-lo com a familia. O bilboquet frances classico tem um so copo (ou copo e ponta frente a frente): um unico objetivo, repeticao pura. O balero hispano-americano e o cup-and-ball anglo-saxao vao por ai. Todos partilham a mesma fisica basica —projetil pendular atado, recepcao amortecida— mas ficam-se por uma ou duas variantes de truque.
O sarado de tres copos quebra esse teto. De repente tem quatro superficies funcionais (ozara, kozara, chuzara, kensaki) mais o buraco do proprio tama como quinto ponto, mais o cordao como elemento manipulavel. A combinatoria explode: cada truque pode comecar numa superficie, transitar por outra e terminar a cravar, e o conjunto admite giros do ken (kenflips), do tama (tamaflips) e manipulacoes do cordao (slacks). Por isso o kendama tem milhares de truques catalogados e o bilboquet, essencialmente, um. Nao e que os japoneses inventaram um jogo novo: pegaram num brinquedo europeu de um so objetivo e acrescentaram-lhe a peca que o converteu num sistema aberto. Essa e, tecnicamente, toda a historia numa frase.
Porque Hiroshima, e porque importa ao joga-lo hoje
Nao e acaso poetico que o berco do kendama moderno e a sede do campeonato mundial sejam o mesmo lugar. Hiroshima —concretamente a zona de Hatsukaichi e Kure— concentrou desde o principio do seculo XX o fabrico, gracas a uma industria local de torneamento de madeira e a patente da Nichigetsu Ball ai registada. Essa continuidade fabril e a razao de que as medidas "oficiais" estejam tao assentes: quando um objeto se produz em serie num mesmo sitio durante um seculo, as suas proporcoes estandardizam-se de facto antes de qualquer federacao as escrever. Quando hoje compra um kendama equilibrado, esta a herdar um seculo de iteracao industrial sobre um mesmo desenho. Nao o nota conscientemente, mas nota-o na mao: por isso um dama bom "deixa-se cravar" e um de bazar mal copiado luta contra si.
Mao, aderencia e postura: o detalhe fino
Falamos de joelhos —e sao o primeiro—, mas ha camadas por baixo que separam quem crava de vez em quando de quem crava quase sempre:
- Aderencia do ken: segure o cabo como um lapis grosso, nao como um martelo. Dedos relaxados; a tensao na mao viaja para a bola e desvia-a. Se apos dez minutos lhe doi o antebraco, agarra demasiado forte.
- Pulso neutro: o pulso acompanha, nao bate. O impulso sobe das pernas e do tronco; o pulso so orienta. Um "pulsaco" de ultima hora e a causa numero um de que a bola gire e o buraco se perca.
- Pes a largura dos ombros: base estavel. Muita gente tenta o spike com os pes juntos e balanca-se inteira; isso mete ruido num gesto que precisa de ser cirurgico.
- Olhar no ana: nao na ponta, nao na mao. O olho ancora-se ao buraco do tama e a mao ajusta-se sozinha para o levar a ponta. E contraintuitivo e e a chave do tracking.
- Respiracao: em balancos longos (lighthouse, lunar) a gente aguenta a respiracao e treme. Expire devagar durante o equilibrio; o corpo aquieta-se sozinho.
Quanto se demora de verdade em cada marco (expetativas honestas)
| Marco | Pratica diaria realista | O que o trava se demora mais |
|---|---|---|
| Primeiro ozara consistente | Primeira sessao | Recebe com o braco, nao com joelhos |
| Primeiro spike (tomeken) | Dias a 2 semanas | Atira de lado; olha a ponta, nao o ana |
| Moshikame fluido | 1-3 semanas | Falta ritmo; vai aos golpes em vez de pendulo |
| Airplane limpo | 2-6 semanas | Larga o ken com giro; nao o deixa cair direito |
| Lighthouse estavel | 1-3 meses | Maos duras; corrige tarde; aguenta a respiracao |
| Primeiro lunar | 3-9 meses | Tama com pouca aderencia; airplane ainda nao solido |
Estes intervalos sao orientativos e a dispersao entre pessoas e enorme —ha quem crave o spike no primeiro dia e quem demore tres semanas, e depois cruzam-se no lighthouse—. O que e constante: quem dobra joelhos e grava as suas sessoes avanca pela faixa baixa; quem joga de braco e "a ver se soa" fica na alta. Nao e talento. E metodo.
Mitos sobre o kendama que convem deitar ao lixo
- "E um brinquedo tradicional japones milenar": nem milenar nem originalmente japones. Forma atual patenteada em 1918-1919; raiz europeia de bola e copa. A parte tradicional japonesa e real mas mais recente e matizavel do que se vende.
- "Quanto mais caro, mais facil crava": falso acima de um minimo decente. Passado o limiar de balanco correto, o preco compra estetica, edicoes e madeira, nao precisao. A precisao compra-se com repeticoes.
- "O tacky e sempre melhor que o gloss": nao. E melhor para balancos de iniciacao; o gloss premeia precisao pura e tem a sua cena. E preferencia e etapa, nao hierarquia.
- "Precisa do selo JKA": so para a via de graus e competicao regulada JKA. Para 95% das pessoas e irrelevante.
- "E questao de pulso": o mito mais caro de todos. E questao de joelhos. Ponto.
Beneficios: porque vicia de verdade (sem fumo)
- Coordenacao oculo-manual: cada repeticao afina a sincronia vista-mao-corpo. E mensuravel: nota-o em semanas.
- Foco quase meditativo: cravar a ponta exige atencao plena. Nao pode pensar no email enquanto faz lunar.
- "Flow": encadear combos produz essa absorcao dos desafios calibrados ao seu nivel. Viciante no bom sentido.
- Portatil, sem ecra, sem pilhas: cabe num bolso, funciona em qualquer sitio, nao caduca.
- Progressao infinita: ha sempre um truque "um pouco mais dificil" mesmo ao alcance. Essa cenoura nunca se acaba.
Progressao de truques: a rota sensata, explicada de verdade
Esqueca tentar o lunar na primeira tarde. Esta e a rota que segue toda a gente que de verdade aprende, com a sensacao que deve procurar em cada passo:
- Ozara (copo grande): flexione joelhos, lance a bola uns centimetros, baixe com os joelhos para "acompanha-la" dentro do copo. Se ressalta, e que recebe com o braco rigido. O primeiro clique.
- Kozara e chuzara: o mesmo em copo pequeno e base. Alterne grande-base com ritmo e ja tem o moshikame, o metronomo da JKA.
- Tomeken (spike desde copo): desde o copo, suba a bola na vertical e crave-a na ponta. Aqui aparece o tracking: aprende a olhar o buraco a girar para si.
- Airplane (hikoki): segura o tama e deixa cair o ken para enfiar a ponta no buraco. Inverte a logica. Importante: dominar o airplane com boa forma e, segundo meia comunidade, o melhor preditor de que aprendera o lunar, porque o gesto de largar o ken e quase identico.
- Furiken (swing in): balanca a bola pendurada do fio e crava-a na ponta ao subir. O primeiro truque com "pendulo".
- Spike limpo: lancamento direito, vertical, sem balanco, a cravar sem que a bola gire de lado. Mais dificil do que parece precisamente porque parece facil.
- Around the world / around Japan: sequencias que encadeiam varios copos e um spike. O seu primeiro "combo" regulado.
- Lighthouse (todai): equilibra o ken vertical, ponta para cima, sobre a bola. Pura estabilidade e nervo.
- Lunar: equilibra o ken apoiado na propria borda do buraco do tama. O emblema do kendama moderno e, sim, requer um tama com aderencia.
| Truque | Tipo | Dificuldade | Chave tecnica |
|---|---|---|---|
| Ozara | Recepcao em copo | Muito facil | Amortecer com joelhos |
| Tomeken | Spike desde copo | Facil | Subida direita + tracking |
| Airplane | Inversao (ken ao buraco) | Media | Largar o ken limpo |
| Furiken | Pendulo + spike | Media-alta | Timing do balanco |
| Lighthouse | Equilibrio vertical | Alta | Maos moles, olhar fixo |
| Lunar | Equilibrio na borda do ana | Muito alta | Aderencia do tama + controlo fino |
O segredo que ninguem lhe conta no primeiro dia: sao as pernas
Resumo-lho numa frase e depois explico-lho: o kendama nao se joga com o braco, joga-se com os joelhos. O erro universal do principiante e trata-lo como um jogo de pulso. Nao o e. A flexao de joelhos —o knee bend— faz duas coisas: na recepcao, baixa o corpo ao mesmo tempo que a bola cai, de modo que o tama nao "golpeia" o copo e ressalta, mas aterra amortecido, como um ovo numa mao que cede. No spike, um pequeno impulso vertical das pernas mantem a bola a subir direita em vez de sair disparada de lado.
Regra pratica que repete literalmente toda a comunidade, do Japao ao Reddit: dobre os joelhos em cada truque. Esse habito muda o seu progresso mais que qualquer kendama caro que compre. Se tivesse que lhe dar um so conselho deste artigo, seria este.
Erros tipicos que o travam semanas
- Jogar so com o braco: ja dito, mas e tao frequente que merece repetir-se. Sem joelhos, tudo ressalta.
- Olhar a mao, nao a bola: a vista segue o tama. Quando vai cravar, fixe os olhos no buraco, nao na ponta.
- Puxar para cima de uma chicotada: o spike e acompanhamento direito, nao puxao. Se puxa de lado, a bola gira e o buraco desalinha-se.
- Saltar a base: querer lunar sem ozara e spike solidos e frustracao garantida. A progressao existe por fisica, nao por burocracia.
- Mudar de kendama cada semana: a memoria muscular precisa de um peso e uma aderencia consistentes. Mudar de dama constantemente sabota-a.
- Nao se gravar: o video revela joelhos rigidos e braco tenso que nao nota ao vivo. E a ferramenta de aprendizagem mais subvalorizada.
Glossario rapido do que vai ouvir
- Spike: cravar a bola pelo buraco na ponta.
- Combo: encadear truques sem que a bola toque o chao nem pare.
- Slack: truques que usam o cordao frouxo como elemento.
- Tracking: ler o giro da bola para alinhar o buraco.
- Tama swap: trocar a bola de um ken para outro (tipico ao colecionar acabamentos).
- Juggle: malabares curtos com ken ou tama dentro de um combo.
- Stall / balance: deixar uma peca em equilibrio sobre outra (lighthouse, lunar).
Rotina diaria que de verdade funciona
A constancia dirigida bate o talento disperso. Sessao tipo de 15-20 minutos:
- Aquecimento (2-3 min): moshikame suave a alternar copos. Solte o pulso, entre em ritmo.
- Truque consolidado (3-4 min): algo que ja lhe sai, para reforcar memoria muscular e arrancar com confianca.
- Truque em aprendizagem (8-10 min): o desafio atual. Qualidade de repeticoes sobre quantidade. Pause se se frustrar: crava-lo zangado nao fixa nada de bom.
- Jogo livre (2-3 min): combos sem pressao. Aqui aparece o flow e assenta o aprendido.
Se queres seguir a ordem completa com tutorial vídeo para cada movimento, no nosso dicionário de 50 truques de kendama tem-los ordenados por nível e categoria, com explicação de como executar cada um e erros típicos.
Animas-te com uma kendama?

PRIME SPORT STRIPE - AVALANCHE
23,10 €
PRIME RADAR - GREEN
23,10 €
PRIME RADAR - BLUE
23,10 €
PRIME SPORT STRIPE - HOME TEAM
23,10 €
PRIME GRAIN SPLIT 2.0 - VEGGIE
23,10 €
PRIME 5 STRIPE - SLUSHY
23,10 €
PRIME GRAIN SPLIT 2.0 - CMYK
23,10 €
PRIME RADAR - RED
23,10 €
BOO JOHNSON - SACRED - LEGEND SHAPE - ANTISKID 2.0
40,45 €
PRIME 5 STRIPE - PONCHO
23,10 €Comunidade e competicao
O kendama tem hoje uma cena viva: jams locais, lojas-comunidade, eventos internacionais. A Kendama World Cup realiza-se cada ano em Hatsukaichi —o berco do kendama— e usa uma lista de truques construida por jogadores de todos os estilos, com niveis do 1 ao 12 conforme os pontos que vale cada truque. Cada competidor desenha a sua propria tirada para espremer o seu estilo. Nao e um detalhe menor: ganhar implica mais de dois mil pontos numa so ronda perfeita. Na edicao de 2025 o primeiro lugar foi para Ryoga Kawamoto com 2.043 pontos.
Nao precisa de competir para pertencer a isto. A curva acelera muitissimo quando ve outras pessoas ao vivo e passam truques uns aos outros. Basta jogar.
Perguntas frequentes
O kendama e japones ou europeu?
As duas coisas, em camada distinta. A origem remota considera-se europeia (bilboquet, jogos de bola e copa), e a teoria da Rota da Seda esta pouco apoiada. Mas o kendama moderno —com a sua cruzeta de tres copos— e um desenvolvimento japones patenteado em 1918-1919 em Hiroshima. Origem longinqua discutida; forma atual, claramente japonesa.
Para que idade serve?
Desde cerca de 6-7 anos e sem limite superior: ha praticantes de todas as idades. Para os mais pequenos existem modelos mini ou mais leves, mas para aprender tecnica real, standard.
Quanto demoro a cravar o primeiro spike?
Variavel, mas com pratica diaria centrada em flexionar joelhos, muita gente o consegue em dias ou poucas semanas. A constancia pesa mais que o talento; o atalho e o knee bend, nao um kendama caro.
Preciso de um kendama caro para comecar?
Nao. Precisa de um equilibrado e com alguma aderencia no tama. Orientamo-lo em que kendama comprar.
Que acessorios fazem falta?
Pouco: cordoes de substituicao (partem-se) e, se escolher tacky, algum spray de manutencao. Tudo em cordoes e acessorios.
E um desporto ou um brinquedo?
Ambos ao mesmo tempo, conforme como o pega. Tem federacao (JKA), graus kyu/dan cronometrados e um campeonato mundial, mas tambem e um passatempo casual perfeitamente desfrutavel sem competir jamais.
Ja sabe o que e um kendama de verdade, nao de folheto. O proximo passo e escolher o seu com cabeca: leia que kendama comprar, veja as nossas kendamas e, se quiser continuar a explorar a familia, de uma olhada a outros jogos de habilidade. Mas o resumo honesto e mais simples: compre um decente e de-lhe uma semana a serio, a dobrar os joelhos. O resto chega sozinho.
Contacta a nossa equipa para qualquer esclarecimento sobre este documento. Contacta-nos