Posicoes na mesa de poker: UTG, hijack, botao e blinds
Porque a posicao na mesa decide o poker: UTG, hijack, cutoff, botao, blinds. Ranges de abertura por cadeira e porque falar em ultimo vale dinheiro.
A posição: a variável invisível que decide o póquer
Há uma coisa no póquer que custa a entender até a teres vivido na mesa umas quantas vezes: nem todas as cadeiras se jogam da mesma maneira. A mesma mão —digamos K-J offsuit— pode ser uma mão premium a partir de um sítio e um fold categórico a partir de outro. E não porque as cartas mudem, mas porque muda a ordem pela qual te toca falar em cada ronda de apostas.
Neste artigo vou contar-te com calma o que são as "posições" na mesa de póquer, como se chamam, quais são boas e quais são más, e porque é que isso decide em boa parte que mãos te convém jogar. Vou tentar não te esmagar logo de início com nomenclatura opaca: iremos aos poucos, primeiro o senso comum e depois as siglas.
Se ainda não tens as regras bem claras, é melhor começares por como jogar Texas Hold'em. Aqui partimos do princípio de que sabes o básico —blinds, flop, turn, river— e vamos um passo mais fundo. E se algum termo não te soar pelo caminho, tens o glossário de termos do póquer a um clique.
Do que falamos quando falamos de "posição"
No póquer, "posição" não é a tua cadeira física na mesa: é a ordem pela qual te toca agir em cada ronda de apostas. Como essa ordem depende de onde está o botão de dealer —o disco que marca quem dá as cartas, e que roda uma posição em cada mão— a tua "posição" muda a cada mão que passa. Se nesta mão estás em boa posição, daqui a cinco mãos estarás em má. Por isso, a curto prazo, não importa demasiado: é aleatório e compensa-se. Mas a longo prazo deixas ou ganhas dinheiro consoante a forma como geres aquilo que há para jogar a partir de cada sítio.
A regra básica de onde sai tudo o resto é esta: quanto mais tarde te tocar falar, melhor. Quem fala em último viu o que todos os outros fizeram, e isso é informação em ouro puro. Quem fala em primeiro está a apostar às cegas sobre as reações dos restantes. Por isso as posições iniciais são chamadas "más" e as tardias "boas", ainda que a cadeira em si não tenha nada de mau nem de bom: o que tem são diferentes quantidades de informação disponível.
Os livros e os profissionais resumem-no com uma frase que se tornou quase um mantra: a posição é a segunda melhor coisa que podes ter numa mão, depois das cartas. E muitos dizem que é a primeira. Um jogador com posição e mão média costuma ganhar dinheiro contra um jogador sem posição e com uma mão decente.
Pré-flop e pós-flop: uma ordem diferente em cada um
Antes de entrarmos nos nomes, convém perceber que a ordem de falar muda consoante a ronda. Isto costuma baralhar os principiantes.
No pré-flop
A ordem começa no jogador à esquerda do big blind e vai dando a volta no sentido dos ponteiros do relógio até fechar no próprio big blind, que fala em último. A razão: os blinds já puseram dinheiro à força, por isso dá-se-lhes a "vantagem" de decidirem em último lugar, quando já viram o que todos os outros fizeram.
No pós-flop (flop, turn e river)
A ordem reinicia-se. Começa no primeiro jogador ativo à esquerda do botão —isto é, o small blind se continuar na mão— e termina no botão. Os blinds, que no pré-flop falavam em último, no pós-flop falam em primeiro. O botão, que no pré-flop falava em penúltimo, no pós-flop fala em último em todas as rondas.
Esta assimetria é o que transforma o botão na cadeira mais rentável da mesa: nas três rondas pós-flop —onde se movem os potes grandes— falas sempre em último. E faz dos blinds, ao mesmo tempo, a cadeira mais cara do póquer: falas em primeiro em cada ronda pós-flop, com informação zero sobre os adversários.
As posições uma a uma, numa mesa completa
O número de posições depende de quantos jogadores se sentam. Vamos explicá-las no formato mais completo —nove jogadores, o que se chama full ring ou "mesa completa"— e depois comentamos como muda tudo em mesas curtas.
Começando à esquerda do big blind e seguindo o sentido dos ponteiros do relógio, as posições são:
UTG (Under the Gun)
"Debaixo de fogo". É o jogador que está imediatamente à esquerda do big blind, e é a ele que toca falar em primeiro no pré-flop. O nome vem da sensação de se estar "sob fogo": não tens informação de ninguém e ainda faltam oito jogadores para falar atrás de ti. Qualquer mão que abras a partir daqui tem de ser muito forte porque, se abres, oito jogadores vão poder responder com todo o seu critério. É a posição mais inicial e a mais difícil.
UTG+1
A cadeira seguinte à esquerda. Mal chega a ser melhor do que UTG: uma posição a mais de informação —o UTG já falou antes de ti—, mas continuas a ter sete jogadores atrás. Estás firmemente em early position.
UTG+2
Terceira cadeira à esquerda. Tradicionalmente ainda se considera early position, embora já tenhas um pouco mais de margem porque dois jogadores falaram antes de ti. Em algumas fontes esta posição chama-se simplesmente MP1 (Middle Position 1).
Lojack (LJ)
Nome relativamente novo, que apareceu com o crescimento do jogo online e das suas terminologias mais específicas. Alguns manuais continuam a chamar-lhe MP ou middle position. Começas a estar em território intermédio: não tens tantas mãos à tua frente como em UTG, mas ainda te restam quatro jogadores atrás.
Hijack (HJ)
"Sequestrador". Chama-se assim porque a partir daqui, se abres com uma subida, costumas forçar o cutoff e o botão a desistirem, "sequestrando-lhes" a última posição pós-flop, que é precisamente a que eles teriam querido ter. É a primeira cadeira que se considera late position e aquela a partir da qual já se podem fazer aberturas amplas com sentido.
Cutoff (CO)
Imediatamente à direita do botão. Só um jogador —o botão— fala depois de ti em cada ronda pós-flop. Posição muito boa. O nome vem, segundo a teoria mais aceite, do Stud clássico: nalgumas variantes havia uma regra pela qual o cutoff podia "cortar" o baralho antes de dar as cartas. Outras teorias dizem que é porque a partir daqui podes "cortar" o caminho ao botão roubando os blinds antes dele.
Button (BTN)
"O botão". A melhor cadeira da mesa, sem discussão. Falas em último em todas as rondas pós-flop (flop, turn e river). Tens informação completa de todos os outros antes de decidires. No pré-flop falas em penúltimo, mesmo antes dos blinds. O botão físico roda uma cadeira no sentido dos ponteiros do relógio em cada mão.
Small Blind (SB)
Blind pequeno. Pagaste metade da aposta mínima obrigatória sem teres visto cartas. No pré-flop falas em penúltimo (depois do botão, antes do BB). Nas rondas pós-flop falas em primeiro, o que é bastante incómodo. Posição complicada.
Big Blind (BB)
Blind grande. Pagaste a aposta mínima obrigatória sem ver cartas. No pré-flop tens a "vantagem de falar em último" porque fechas a ronda com a aposta já feita por antecipação. Nas rondas pós-flop falas em segundo, depois do SB. Complicada no pós-flop, mas melhor do que o SB porque o teu investimento inicial é maior e isso dá-te melhores pot odds para defender.
O esquema visual da mesa
Para teres uma imagem mental clara, é assim que fica uma mesa de nove jogadores com o botão fixado numa posição. O botão roda uma cadeira no sentido dos ponteiros do relógio em cada mão, e com ele rodam todos os outros nomes.
[UTG+1] [UTG]
[UTG+2] [BB]
[LJ] [SB]
[HJ] [BTN]
[CO] [dealer]
O resultado dessa rotação é que, a longo prazo, toda a gente passa por todas as posições por igual: o mau compensa-se com o bom. Mas em cada mão concreta a posição decide boa parte do que te convém jogar. Um bom jogador aproveita as boas posições sem ser ganancioso e sabe defender-se nas más sem se esvair em sangue.
Porque é que a informação é tudo
Exemplo concreto para que se perceba porque é que a posição muda tanto o valor de uma mão. Imagina duas situações idênticas. Em ambas tens 8♥ 9♥ (uma mão média, com projeto de cor e de sequência). O flop sai 6♥ 7♣ K♦. Tens projeto de sequência aberto (qualquer 5 ou 10 fecha-a) mais projeto de cor com o 9♥ e o 8♥ na mão e o 6♥ no board. Ainda não tens nada feito.
Caso 1, jogando a mão a partir de UTG
És o primeiro a falar no flop. Se apostas, não fazes ideia do que os outros vão fazer; pode ser que alguém tenha um rei para top pair, pode ser que alguém tenha um trio de setes, pode ser que ninguém tenha nada. Se fazes check, alguém pode apostar forte e obriga-te a decidir sem informação. Se decides apostar para "ver onde estão todos", três jogadores atrás de ti podem subir e forçar-te a pagar muito ou a desistir. Qualquer decisão é incómoda.
Caso 2, jogando a mão a partir do botão
És o último a falar. Todos os outros já se manifestaram: dois fizeram check, um fez uma aposta pequena. Sabes que provavelmente ninguém tem uma mão monstro, ou teriam apostado mais alto. Podes pagar a aposta sabendo que tens uma das melhores mãos possíveis para defender em flops como este —projeto de sequência aberto e projeto de cor combinados— e que no turn vais falar em último outra vez, com mais informação sobre todos os outros. Situação excelente.
A mão é a mesma. O flop é o mesmo. Os adversários podem ser os mesmos. A posição muda tudo.
A tabela de posições e ranges de abertura
Há ranges de mãos "padrão" que os bons jogadores manejam a partir de cada posição. Não são leis —o póquer não funciona assim— mas são a base que convém ter interiorizada antes de sair dela. Os ranges que verás abaixo são orientativos para Texas Hold'em No-Limit com nove jogadores em full ring; os números exatos variam consoante o estilo da mesa, o nível do adversário e a profundidade dos stacks.
| Posição | Categoria | % de mãos a abrir | Tipos de mãos recomendadas |
|---|---|---|---|
| UTG | Early | ~10-12% | Pares médios/altos (66+), ases com cartas altas (AT+, AJs+), conectores altos (KQ, QJs) |
| UTG+1 | Early | ~11-13% | O de UTG + mais algum par pequeno e algum suited connector alto |
| UTG+2 / MP1 | Early-Middle | ~12-15% | O anterior + mais pares médios (33+), mais ases médios (A9s+), KJo, QJo |
| Lojack | Middle | ~16-20% | Qualquer par (22+), conectores suited 76s+, ases médios (A8s+), broadways soltos |
| Hijack | Late | ~20-25% | Pares pequenos, conectores 65s+, ases médios e baixos suited (A2s+), K9s+ |
| Cutoff | Late | ~25-30% | Mãos especulativas (KJo, A5s, 65s), qualquer par, quase qualquer suited connector, muitos broadways |
| Button | Late | ~35-45% | Muito aberto: qualquer par, qualquer ás, quase qualquer broadway, muitos suited connectors e gappers, alguns offsuit médios |
| Small Blind | Blind | ~12-18% (subida) / ~5-8% (limp) | Estreito porque jogas o pós-flop fora de posição. Mãos sólidas que se saibam defender: pares médios+, AT+, KQ+, QJs |
| Big Blind | Blind (defesa) | até 40% (defesa) | Defendes com um range muito amplo porque já tens 1 BB metida e as tuas pot odds melhoram |
Uma notação rápida para entender a tabela:
- s = suited (mesmo naipe). Exemplo: AKs = ás e rei do mesmo naipe.
- o = offsuit (naipes diferentes). Exemplo: AKo = ás e rei de naipes diferentes.
- 66+ = par de seises ou qualquer par superior (66, 77, 88, 99, TT, JJ, QQ, KK, AA).
- Broadway = cartas do 10 ao ás (T, J, Q, K, A).
- Suited connector = duas cartas consecutivas do mesmo naipe (87s, 76s, 65s).
- Gapper = duas cartas do mesmo naipe com um buraco entre elas (86s, 97s).
O botão: porque é a cadeira mais rentável de toda a mesa
Estatisticamente, numa sessão longa, os jogadores ganham mais fichas a partir do botão do que de qualquer outra posição. As bases de dados de mãos online, com milhões de mãos analisadas, coincidem todas nisto. E a razão é tripla:
Informação pós-flop
Falas em último no flop, no turn e no river. Cada decisão que tomas, tomá-la com base na informação de todos os outros em cima da mesa. Sabes quem apostou, quanto, por que ordem; podes deduzir melhor que mãos tem cada um e ajustar a tua em conformidade. Numa rua em que três jogadores fizeram check, sabes que provavelmente ninguém tem muito: podes roubar o pote com uma aposta pequena quase sem risco.
Possibilidade de roubar os blinds
Se todos desistem até chegar a ti, podes "roubar" os blinds com uma subida modesta porque os dois blinds têm de decidir sem saberem a tua mão e, estatisticamente, os seus ranges de cartas são fracos (foi-lhes dada qualquer coisa). Esta jogada chama-se steal e os jogadores sérios planeiam-na com atenção a partir do botão. Numa mesa média, um bom jogador rouba com êxito entre 40% e 55% das vezes que tenta.
Range de mãos mais amplo
Podes abrir muitas mais mãos sem perder dinheiro a longo prazo porque a tua informação pós-flop te permite não ficares preso com mãos marginais. Uma mão como Q8s a partir de UTG é um problema porque tens de jogar o pós-flop fora de posição contra oito adversários; a partir do botão é uma abertura razoável porque vais beneficiar da posição durante toda a mão.
Isso sim, há uma exceção. Se os dois blinds forem jogadores muito agressivos que defendem a toda a hora e fazem 3-bets com frequência, o roubo deixa de funcionar e tens de apertar o teu range. A posição é vantagem, mas não é imunidade. Um botão que abre demasiado largo contra blinds agressivos perde dinheiro depressa.
Os blinds: jogar fora de posição é duro
As duas piores cadeiras para jogar o pós-flop são o blind pequeno e o blind grande. O SB é provavelmente a posição mais cara a longo prazo no póquer: começas por pagar meio blind às cegas, vais jogar todas as rondas pós-flop em primeiro, sem informação de ninguém, e ainda por cima o jogador do botão pode roubar-te os blinds quando quiser. O BB é um pouco melhor porque pagaste o blind inteiro (já estás investido e isso melhora as tuas pot odds) e falas em segundo no pós-flop, não em primeiro.
Como jogar o Small Blind
A partir do SB, se todos desistiram até ti, sobes um range bastante estreito para tentar o "roubo ao BB". Não convém fazer limp (igualar sem subir) porque dás o flop de graça ao adversário e ofereces-lhe a iniciativa. Se alguém já subiu antes de ti, defendes poucas mãos e, quando o fazes, normalmente com uma ressubida (3-bet) para tomares a iniciativa e complicares a vida a quem abriu.
Como jogar o Big Blind
A partir do BB defendes muitas mais mãos porque já tens 1 BB metida no pote, o que melhora as tuas pot odds para igualar. Mas a maioria das tuas defesas serão calls, não subidas: resignas-te a jogar o pós-flop com desvantagem posicional, mas pelo menos "compraste barato" o flop. Contra uma subida padrão a partir do botão, um jogador sólido defende o seu BB com quase 40% das mãos.
Mesas de seis jogadores: o que muda
O formato 6-handed (seis jogadores), também chamado shorthanded, é muito popular nas partidas online e cada vez mais nos casinos e nas salas de cash de póquer ao vivo. As posições reduzem-se e apertam-se: como há menos jogadores entre o botão e os blinds, todos os ranges se alargam e o jogo torna-se mais agressivo. As posições em 6-max são:
- UTG (que em 6-handed funciona como early position).
- Hijack (MP).
- Cutoff.
- Button.
- Small Blind.
- Big Blind.
Em 6-handed praticamente não existe early position genuína: o UTG parece-se mais com o hijack do 9-handed do que com um UTG "a sério". Os ranges de abertura são mais amplos em cada posição —um bom jogador de 6-handed pode abrir mais de 20% das mãos a partir de UTG— e o ritmo de jogo é muito mais agressivo. É o formato que mais se parece com o "Hold'em puro" porque cada mão tem mais jogadores ativos e menos folds.
Mesas de 3 jogadores e heads-up
Em mesas curtas de três jogadores (às vezes chamadas 3-max) ou em heads-up (um contra um), a posição passa a ser quase a única coisa que importa. No heads-up só há duas posições: o botão (que no pré-flop paga o SB e fala em primeiro, mas no pós-flop fala em último) e o BB. Qualquer mão razoável é jogável a partir do botão. Os ranges de abertura no heads-up chegam aos 80-90% das mãos.
Cinco erros típicos relacionados com a posição
1. Jogar as mesmas mãos a partir de todas as cadeiras
O erro de cabeceira do jogador principiante. É muito tentador pensar "A-10 é A-10" e jogá-lo igual a partir de UTG e a partir do botão. Mas A-10 offsuit a partir de UTG com oito jogadores atrás é uma mão marginal que perde dinheiro a longo prazo; a partir do botão é uma mão de abertura confortável. Antes de mais, ajusta o teu range à cadeira. É o primeiro passo técnico e o que mais impacto tem nos teus resultados.
2. Defender demasiado os blinds por "custo afundado"
Quando andas a pagar blinds a noite toda e ninguém te deixou jogar nada de jeito, dá-te a tentação de defender o SB com qualquer coisa "porque já pus dinheiro". É o viés do custo afundado, e é exatamente o viés que mais fichas custa a longo prazo. O que já puseste já não é teu: o que importa é se te convém pôr mais, não se já tens alguma coisa lá dentro. Aprende a largar o SB com mãos más, ainda que doa.
3. Subestimar o hijack
Muitos jogadores intermédios tratam o hijack como mais uma posição intermédia. Na verdade é a primeira late position útil e a partir daí já se podem fazer roubos, aberturas amplas e movimentos de controlo sobre o cutoff e o botão. Aprende a usá-lo bem —abrindo com um range moderadamente amplo, pressionando quando os adversários de late são passivos— e vais notar a diferença nos teus ganhos.
4. Esquecer quem fica atrás
A tua posição não é apenas o "número de jogadores até ao botão". É também quem são esses jogadores. Se em UTG+1 ficam atrás de ti dois profissionais muito agressivos, devias abrir um range mais estreito do que se fossem dois turistas passivos. A posição teórica modula-se com a informação real de cada mesa. Os melhores jogadores ajustam constantemente os seus ranges consoante os tipos que têm à volta.
5. Pensar que o botão é invencível
O botão é a melhor cadeira, sim, mas não é um cheque em branco. Se abres com mãos muito fracas porque "estou no botão", os blinds vão fazer-te 3-bet com mãos que dominam a tua, e vais muitas vezes ao flop com o pior par. A posição não compensa cartas más: torna-as um pouco mais jogáveis. Abrir demasiado largo é um erro tão mau como abrir demasiado estreito.
6. Confundir posição absoluta com posição relativa
Esta é uma nuance que separa os intermédios dos avançados. A posição absoluta é a tua cadeira em relação ao botão (UTG, cutoff, etc.). A posição relativa é a tua cadeira em relação ao agressor concreto da mão. Se um jogador de UTG sobe e todos igualam, o cutoff tem boa posição absoluta mas má posição relativa em relação ao agressor: continua a ter de jogar o pós-flop antes do big blind e do small blind. Em mãos multiway, a posição relativa às vezes importa mais do que a absoluta.
Cash game e torneio: nuances diferentes da posição
Um pormenor que não se costuma contar: a importância relativa da posição muda consoante jogues cash ou torneio. No cash, com stacks geralmente profundos (100 BB ou mais) e sem pressão de eliminação, a posição é o que decide a maioria das mãos com jogo pós-flop longo. Todas as ruas contam, e falar em último em três rondas de apostas seguidas é uma vantagem cumulativa enorme.
No torneio, sobretudo quando os stacks descem abaixo dos 20 BB, a dinâmica muda. Muitas mãos jogam-se em modo push or fold: ou vais all-in no pré-flop, ou desistes. Com apenas uma ronda de apostas, a posição continua a importar —abrir em push a partir do botão tem fold equity contra dois jogadores; a partir de UTG, contra oito— mas pesa menos do que no cash porque não há três ruas de decisões pós-flop em que aproveitá-la. Quando os stacks são curtos, o range de push a partir do botão pode ser mais do dobro do de UTG.
Em contrapartida, quando estás na bolha —perto da zona de prémios mas sem lá teres entrado ainda— a posição volta a ser ouro. Roubar blinds a partir do botão contra jogadores que não querem arriscar a eliminação é uma das jogadas mais rentáveis do póquer de torneio, e é por isso que os profissionais carregam no acelerador ao máximo a partir do botão nessas fases. A teoria do ICM (Independent Chip Model) explica matematicamente porquê.
Um exemplo concreto de mão jogada a partir de duas posições
Para acabar de fixar o conceito, olha para esta mão de A♣ Q♥ jogada duas vezes com o mesmo flop mas a partir de cadeiras diferentes. Nove jogadores, blinds 25/50 (100 BB efetivos).
Versão A: A-Q a partir de UTG
Abres para 150 (3 BB). O cutoff iguala; o botão iguala. Os blinds desistem. Pote: 375, três jogadores ativos. Flop: J♣ 8♦ 4♡. Falas em primeiro. Não tens nada feito —ás alto—, mas és o agressor pré-flop, por isso continuas com uma c-bet de 200. O cutoff sobe para 550. O botão desiste. Tu tens de decidir com as duas ruas seguintes pela frente e uma carta viva (o ás) sem projeto claro. Situação muito incómoda. O mais provável é que acabes por largar a mão e perder 350 fichas.
Versão B: A-Q a partir do botão
O UTG abre para 150. O cutoff desiste. Tu igualas a partir do botão. Os blinds desistem. Pote: 375, dois jogadores ativos. Flop: J♣ 8♦ 4♡. O UTG fala em primeiro: faz c-bet de 200. Tens as mesmas cartas que na versão A, mas agora vais decidir com duas ruas inteiras pela frente e falando sempre depois dele. Podes pagar a aposta com a intenção de fazer float e roubar o pote no turn ou no river se sair uma carta horrível para o range dele. Também podes desistir sem ambiguidade, sabendo que investiste menos do que na versão A. A decisão é mais limpa e as opções mais rentáveis.
O ás-dama não mudou. O flop não mudou. Só a tua cadeira. E as opções multiplicaram-se.
Como treinar a "consciência posicional"
A posição aprende-se jogando mãos, mas há também um truque mental que acelera muito o processo: antes de olhares para as tuas cartas, olha para onde está o botão. Sabe que posição te toca nesta mão antes de veres que cartas tens. Só então olha para as cartas e aplica o range que corresponde. Esta ordem —primeiro a posição, depois as cartas— é o contrário do que faz o jogador ansioso, que olha para as cartas de imediato e decide sem pensar na cadeira.
Outro treino útil: da próxima vez que vires jogar um profissional em vídeo ou na televisão, repara a partir de onde é que ele abre as mãos. Vais notar que certos jogadores abrem muitas mais mãos a partir do botão e muitas menos a partir de UTG do que a média. Esse ajuste é o que a teoria chama PFR (Pre-Flop Raise) por posição, e é um dos indicadores que as ferramentas de tracking online mais medem.
Perguntas frequentes sobre posições no póquer
Qual é a melhor posição numa mesa de póquer?
O botão (BTN), com muitíssima diferença. Falas em último em todas as rondas pós-flop (flop, turn e river), o que significa que vês como atuam todos os outros antes de decidires tu. Estatisticamente, os jogadores ganham mais fichas a partir do botão do que de qualquer outra cadeira. Os sites de tracking do póquer online confirmam-no uma e outra vez.
O que quer dizer "UTG" no póquer?
UTG são as siglas de Under the Gun, "debaixo de fogo". É o jogador imediatamente à esquerda do big blind, e é o primeiro a falar na ronda de pré-flop. É a posição mais difícil do jogo porque tens de decidir sem informação sobre o que os outros vão fazer.
O que significa estar "em posição" e "fora de posição"?
Estás "em posição" (IP, in position) sobre outro jogador quando falas depois dele em cada ronda pós-flop. Estás "fora de posição" (OOP, out of position) quando falas antes. Em qualquer mão, a tua posição relativa aos jogadores ativos importa mais do que a tua cadeira absoluta.
Porque é que o small blind é uma posição tão má?
Por dois motivos que se somam. Primeiro, pagaste meio blind às cegas e o big blind vai falar depois de ti na ronda de pré-flop. E segundo, no pós-flop falas em primeiro de toda a mesa, por isso decides sem informação em todas as rondas restantes. É a posição que mais fichas perde a longo prazo entre jogadores médios.
O que é o "hijack" e porque se chama assim?
O hijack é a primeira cadeira de late position numa mesa completa (a quarta a contar do botão, para a direita). Chama-se assim porque a partir daqui, se abres com uma subida, costumas fazer com que o cutoff e o botão desistam —"sequestras-lhes" a última posição pós-flop, que é a que eles teriam querido ter—. O nome popularizou-se com o póquer online no final da década de 2000.
Muda muito jogar numa mesa de 6 jogadores?
Sim, bastante. Havendo menos jogadores entre o botão e os blinds, os ranges de abertura alargam-se em cada posição e todo o ritmo acelera. Desaparece praticamente a early position genuína do formato 9-handed. É mais agressivo e mais rápido, o que muitos jogadores preferem. Os profissionais costumam dividir-se: uns gostam mais do full ring pela sua carga estratégica, outros do 6-max pela ação.
Porque é que o cutoff se chama assim?
Há várias teorias. A mais aceite é que vem do velho costume do Stud, onde o jogador dessa cadeira "cortava" o baralho antes de dar as cartas. Outra diz que é porque a partir daí "cortas" o caminho ao botão roubando os blinds antes dele. Nenhuma está documentada a cem por cento.
Posso ter posição e estar fora de posição ao mesmo tempo?
Sim, em mãos multiway. Podes estar em posição em relação a um jogador e fora de posição em relação a outro. Por exemplo, sendo o cutoff com uma abertura de UTG e uma defesa do BB: estás em posição em relação a UTG (falas depois dele no pós-flop) mas fora de posição em relação ao BB (que no pós-flop fala em primeiro, mas depois do SB se continuar na mão). Esta leitura fina é própria de jogadores avançados.
Quantas mãos devo abrir a partir de cada posição?
É o que resume a tabela mais acima neste artigo. Como regra mnemónica: a partir de UTG, cada posição acrescenta cerca de cinco pontos percentuais ao range de abertura, até chegar ao botão. O UTG abre à volta de 12%, o cutoff à volta de 28%, o botão à volta de 40%. Os blinds são casos especiais que se jogam de forma diferente.
Para levares para a mesa
Se nunca tinhas pensado na posição, a primeira coisa a fazer da próxima vez que jogares é reparares em quem fala antes de ti e quem fala depois, não apenas nas tuas cartas. Ao fim de uma hora vais notar como isso muda o teu jogo. A posição é provavelmente o conceito mais importante do póquer depois do ranking de mãos, e curiosamente é das coisas que mais tarde se ensinam em livros e vídeos. Começa a notá-la desde a primeira mão e já levas muito ganho.
Para uma partida caseira com amigos, a questão das posições funciona igual ao que acontece numa mesa profissional. A única coisa que muda é que provavelmente toda a gente vai jogar mais mãos do que a teoria diz —porque no fim de contas estão ali para se divertirem, e passar a noite inteira a foldar a partir do botão não tem graça nenhuma—. Ainda assim, manter a consciência de posição vai ajudar-te a não perderes fichas por tolice.
E para um serão decente, o que realmente se nota é a qualidade do baralho. Um Bicycle Standard ou um Bee Stinger sentem-se de outra maneira ao dar muitas mãos seguidas e aguentam a noite sem ficarem "moles". Nos baralhos de póquer tens a seleção inteira; se tens dúvidas entre marcas vê a nossa comparação Bicycle vs Theory11 vs Tally-Ho, e para perceberes porque há tantos sistemas de baralho diferentes, dá uma olhada ao guia completo de baralhos de póquer e aos naipes do baralho de póquer.
Se quiseres continuar a aprofundar a estratégia, os passos lógicos são: dominar o ranking de mãos sem pensar, começar a calcular pot odds e outs, aprender o glossário de termos para não te perderes quando alguém largar um check-raise ou um squeeze, e conhecer as variantes do póquer para lá do Hold'em, porque as posições também existem no Omaha e no Stud, mas jogadas com lógicas próprias.
Poker
Gemini Casino Verde Phthalo – Baralho de Cartas
One Piece – Robin – Baralho de Cartas
One Piece – Chopper – Baralho de Cartas
Tally-Ho Autumn Circle Back – Baralho de Cartas
Tally-Ho Gaff – Baralho de Cartas
Tally-Ho Fan White Rose – Baralho de Cartas
Bicycle Elton John – Baralho de Cartas
Bicycle Disney Villains Verde – Baralho de Cartas
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